Já dizia Porter e Kramer (2011), “uma empresa atuando como empresa, não como um ente filantrópico, é o agente mais forte para lidar com as prementes questões a nossa frente”.
A geração de valor compartilhado, em que se pensa na sustentabilidade de forma transversal e sistêmica dentro da estratégia de negócios da empresa, e não de forma isolada, gera inúmeros benefícios aos seus stakeholders e a ela mesma. Hart e Milsten (2003) propõem que as empresas criem valor sustentável ao integrar considerações econômicas, sociais e ambientais em suas estratégias de negócio, conforme disposto no artigo “Relato Integrado (RI) e a Sinergia com o Modelo de Hart e Milstein” por meio de um modelo estruturado em dois eixos e quatro dimensões principais, a saber:
- Eixo vertical (hoje/amanhã): alcançar resultados a curto prazo ao mesmo tempo em que se pensa no crescimento futuro. Isso significa manter os negócios atuais e também criar tecnologias e mercados do amanhã.
- Eixo horizontal (interno/externo): as estratégias são divididas entre aquelas que ultrapassam a fronteira da organização ou não. Além de proteger competências internas, deve-se estimular a aquisição de novas perspectivas e conhecimentos de fora.
- Prevenção da poluição (interno/hoje): seus motivadores são a poluição, o consumo e os resíduos gerados pela atividade humana (industrialização rápida e crescimento populacional) desde a década de 1950. Trata de mudanças baratas e incrementais para o uso mais eficiente de recursos humanos e materiais em processos já existentes, por isso é interna e de curto prazo.
- Gerenciamento de produto (externo/hoje): seus motivadores são a sociedade civil, a transparência e a conectividade (licença para operar), pois stakeholders bem-informados e ativos assumiram o papel de monitorar violações sociais e ambientais desde a década de 1990.
- Tecnologias limpas (interno/amanhã): Reforça a necessidade de inovação para o desenvolvimento de produtos e serviços sustentáveis, reposicionando a empresa para novos mercados e oportunidades. Na existência de problemas compartilhados e urgentes como as mudanças climáticas, no que tange as organizações defende-se que não é mais possível manter a forma de produção e consumo, por exemplo, a utilização desenfreada e a poluição dos recursos naturais, bem como a dependência de fontes de energia não-renováveis, principalmente combustíveis fósseis.
- Visão Sustentável (externo/amanhã): Almeja o crescimento sustentável dentro de uma visão de longo prazo, explorando novas oportunidades.
Existem algumas críticas quanto ao modelo proposto, por ser mais aplicável a grandes corporações com recursos para investir em inovação sustentável, assim como por ser difícil medir o valor criado, já que muitas vezes os resultados são intangíveis e difíceis de quantificar.
Independentemente disso, o modelo proposto é um marco de extrema relevância do ponto de vista da sustentabilidade, e, obviamente que sua aplicação pode requerer adaptações a depender do contexto, porte e especificidades de cada empresa.

Como abordado no artigo “A Maturidade Organizacional e os Três “Ps” Propósito, Pessoas e Performance”, a sustentabilidade faz parte de uma trajetória que perpassa desde um estágio “elementar” até um nível mais “transformacional”, que inclusive varia de acordo com cada tema que está sendo tratado, pois será muito difícil atuar com o mesmo rigor de priorização com todos os temas ao mesmo tempo.
E é por isso que digo e afirmo, o ESG é meio, e não fim!
Daniela Pedroza